Brasil e FAO impulsionam agricultura familiar na América Central
Uma parceria entre a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o governo brasileiro, representado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), resultou em um avanço significativo na agricultura familiar em países da América Central. Durante um evento realizado em abril na Cidade da Guatemala, foram apresentados os resultados do projeto "Inovação para a redução de riscos agroambientais nos países do Corredor Seco da América Central", que utilizou o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para melhorar o planejamento agrícola e reduzir perdas produtivas.
Implementado em colaboração com os ministérios da Agricultura de Guatemala, El Salvador e Honduras, o projeto contou com o apoio técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e outras instituições regionais. Ao longo de três anos, a iniciativa buscou fortalecer a resiliência da agricultura familiar, utilizando ciência e dados para ajudar os produtores a enfrentar os desafios das mudanças climáticas, como secas e chuvas irregulares.
O representante da FAO na Guatemala, Rafael Zavala, enfatizou a importância da construção conjunta de soluções, destacando que a cooperação Sul-Sul foi fundamental para integrar experiências e conhecimentos entre os países participantes. O uso da ferramenta ZARC, que permite otimizar o planejamento agrícola, já trouxe resultados positivos, como a redução das perdas e o melhor uso da água, beneficiando diretamente os agricultores.
Os avanços incluem a incorporação do ZARC no planejamento agrícola dos ministérios da Agricultura dos três países, que agora utilizam a ferramenta como referência para decisões governamentais. A iniciativa também facilitou a articulação com 13 instituições financeiras, promovendo uma conexão entre tecnologia, financiamento e produção agrícola.
Além disso, o projeto promoveu a capacitação de mais de 130 técnicos e a criação de 190 mapas ZARC, que integram dados climáticos, de solo e cultivo, ajudando na tomada de decisões mais informadas. A validação da ferramenta em condições reais de campo foi feita através de 120 parcelas piloto, onde práticas mais resilientes foram adotadas, como o uso de pluviômetros e sementes melhoradas.
O impacto foi visível no ajuste das datas de plantio, especialmente de grãos básicos como milho e feijão, que agora são realizados em janelas de menor risco climático. Essa mudança resultou em maior sobrevivência e rendimentos das colheitas, demonstrando como o conhecimento e a tecnologia podem transformar a realidade agrícola.
As mulheres também desempenharam um papel essencial no projeto, participando ativamente das capacitações e contribuindo para o fortalecimento da segurança alimentar. A adaptação da metodologia ZARC aos contextos locais permitiu que os países identificassem cultivos e períodos de plantio mais adequados, criando bases sólidas para a sustentabilidade da ferramenta como um instrumento de gestão de risco climático na região.
Com essas ações, a região do Corredor Seco passou de uma abordagem reativa a uma proativa, utilizando decisões baseadas em evidências para antecipar e mitigar impactos climáticos, melhorando a vida de muitos produtores rurais.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.