Brasil alcança IDHM histórico de 0,805, mas desigualdades persistem
O Brasil alcançou um marco histórico ao atingir um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805 em 2024, segundo dados divulgados nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Este é o primeiro registro do país na faixa de muito alto desenvolvimento humano, refletindo uma trajetória de investimentos significativos em políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida.
Os dados, que fazem parte da nova edição do Radar IDHM, marcam também o trigésimo aniversário do primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano produzido no Brasil. Claudio Providas, chefe do PNUD no Brasil, enfatizou que o resultado é fruto de décadas de esforços para promover a inclusão e o acesso a serviços essenciais, como educação e saúde.
No entanto, o relatório revela que, apesar do avanço, desigualdades raciais, de gênero e regionais continuam a afetar a população. Quando ajustado pela desigualdade, o IDHM brasileiro cai para 0,641, evidenciando que muitos cidadãos ainda vivem em condições distantes da média nacional. Providas destacou a importância de utilizar esse novo patamar para construir um sistema educacional mais robusto e inclusivo, que atenda às demandas contemporâneas.
Analisando os dados por grupos populacionais, observa-se que o IDH da população branca é de 0,851, enquanto o da população negra é de 0,774. As disparidades também se refletem entre os gêneros: o índice para homens é de 0,802 e para mulheres, 0,798. Essas diferenças são acentuadas em termos de renda e expectativa de vida, com homens brancos no Rio Grande do Sul vivendo, em média, 81 anos, enquanto homens negros no Amapá têm expectativa de 73 anos.
Betina Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD no Brasil, ressalta que o crescimento do IDHM está intimamente ligado aos avanços na educação, especialmente entre a população negra. A inclusão social, destacada como vital para o desenvolvimento, deve ser uma prioridade nas políticas públicas, com o objetivo de reduzir as desigualdades históricas.
O estudo também aponta que a educação foi o principal motor do crescimento do IDHM ao longo dos anos, com políticas como o Bolsa Família contribuindo para o aumento da frequência escolar e a diminuição do trabalho infantil. Betina Barbosa comentou que, embora o Brasil tenha alcançado uma marca significativa, é necessário enfrentar as desigualdades históricas para garantir um desenvolvimento mais equitativo.
Além disso, o relatório do PNUD observou impactos duradouros da pandemia de Covid-19 nos indicadores sociais, com quedas significativas em 2020 e 2021, especialmente em longevidade, renda e educação. O Brasil ainda se recupera desse impacto, e os dados de 2024 mostram que a trajetória de crescimento não foi totalmente restabelecida. O próximo passo envolve não apenas reconhecer os avanços, mas também trabalhar ativamente para que todos os segmentos da população possam compartilhar os frutos do desenvolvimento.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.