Artesanato indígena de MS ganha destaque na Casa do Artesão e feiras nacionais
O artesanato das comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul tem alcançado maior visibilidade e valorização graças ao trabalho da Fundação de Cultura do estado. A instituição promove a comercialização das peças na Casa do Artesão, organiza a participação em feiras nacionais e facilita a emissão da Carteira Nacional do Artesão diretamente nas aldeias.
No território sul-mato-grossense, nove etnias indígenas estão catalogadas, todas com forte tradição na produção de artesanatos em cerâmica, fibra e sementes. Entre elas, as etnias Terena, Kadiwéu e Kinikinau se destacam tanto pela qualidade das peças quanto pela frequência na participação de eventos e comercialização.
Katienka Klain, diretora de Artesanato, Moda e Design da Fundação de Cultura, explica que, apesar do aumento das vendas de materiais produzidos pelos Guató e Ofaié, são as cerâmicas Terena que ainda lideram o mercado. “A Terena é uma referência cultural e patrimônio do estado. Muitas vendas são realizadas por meio de associações, nem sempre indígenas, devido às dificuldades financeiras enfrentadas para participar de eventos”, afirma.
Para ampliar a representatividade e o acesso ao mercado, a Fundação oferece vagas específicas para indígenas em editais e inclui o artesanato indígena em festivais como o Festival de Inverno de Bonito e América do Sul. Essas iniciativas são fundamentais para que as comunidades entendam o funcionamento do mercado e possam fortalecer a economia local.
A presença do artesanato indígena na Casa do Artesão já supera três décadas, com a participação ativa das etnias Kadwéu, Terena e Kinikinau. Eliane Torres, coordenadora do espaço, destaca que essas produções são parte essencial da identidade cultural e patrimônio histórico de Mato Grosso do Sul.
Artesãs como Cleonice Roberto Veiga, da etnia Kinikinau, ressaltam a importância da Casa do Artesão para divulgar e valorizar seu trabalho, que gera renda fundamental para suas famílias. Cleonice expõe peças em cerâmica, argila, além de colares e pulseiras, e conta que a visibilidade conquistada tem sido essencial para manter viva sua cultura.
Creusa Virgílio, da etnia Kadiwéu, mantém a tradição da venda de cerâmicas iniciada por sua mãe e irmã há mais de 14 anos. Para ela, o artesanato é uma fonte de renda e uma forma de fortalecer a cultura Kadwéu em Mato Grosso do Sul.
Rosenir Batista, da etnia Terena, trabalha com cerâmica desde a infância e já foi homenageada na Semana do Artesão. Além da produção, ela ministra oficinas em escolas para difundir o conhecimento ancestral da cerâmica Terena. Para Rosenir, preservar essa técnica é um compromisso familiar e cultural, que envolve várias gerações.
Esses exemplos evidenciam o impacto social e cultural do artesanato indígena no estado e a importância do apoio institucional para garantir a continuidade dessas tradições. A Fundação de Cultura segue com o compromisso de ampliar espaços para comercialização e qualificação dos artesanatos, assegurando que as etnias indígenas de Mato Grosso do Sul tenham maior participação e reconhecimento no cenário nacional.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.