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Alta do petróleo mobiliza G7 em meio a tensões no Estreito de Ormuz

Países do G7 discutem medidas para conter aumento dos preços do petróleo causado por conflito no Irã

Impactos do aumento do petróleo

O aumento dos preços do petróleo devido à instabilidade no Estreito de Ormuz tem efeitos diretos na economia global, especialmente na Ásia e Europa, elevando custos de energia e transporte. Isso pode pressionar a inflação e o custo de vida em diversos países, além de provocar ajustes nas políticas energéticas e comerciais. A busca por alternativas, como o aumento da produção nacional em países como o Brasil, é uma resposta para mitigar esses impactos e garantir o abastecimento energético.
Bandeira do Irã com gráfico de ações e um modelo miniatura de bomba de petróleo em ilustração
09/10/2023
REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
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O aumento do preço do barril de petróleo vem mobilizando as potências ocidentais reunidas no G7, grupo dos países mais industrializados do mundo. Os ministros das finanças do grupo se reuniram, nesta segunda-feira (9), para discutir medidas contra a disparada dos preços no mercado mundial.  

Por enquanto, as potências decidiram não liberar as reservas de emergência para forçar a queda dos preços. O barril chegou a quase US$ 120, maior valor desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. Houve um aumento de até 30% desde o início da guerra no Irã e do fechamento do Estreito de Ormuz.

As potências do G7 – França, Alemanha, Estados Unidos (EUA), Itália, Japão, Canadá e Reino Unido – discutiram a liberação das reservas estimadas em 1,2 bilhão de barris de petróleo, além de 600 milhões mantidos por obrigação governamental.

O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, por onde transitam cerca de 25% do petróleo mundial, tem abalado os mercados financeiros, com bolsas caindo em todo o mundo.

As retaliações de Teerã contra alvos nos países do Golfo Pérsico também contribuíram para reduzir a oferta no mercado de grandes produtores como Bahrein e Catar.

“Além dos desafios da travessia do Estreito de Ormuz, uma parcela substancial da produção de petróleo foi reduzida. Isso está criando riscos significativos e crescentes para o mercado”, afirmou o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol.

A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep), Ticiana Álvares, destacou à Agência Brasil que o mercado projetava, para 2026, um preço médio em torno dos US$ 70 o barril.

“Os mais impactados imediatamente devem ser, nessa ordem, Ásia e Europa. Só que, se o conflito se mantiver, se aprofundar, a tendência é que haja um impacto global de maiores repercussões”, comentou.

A AIE estima que 80% do petróleo que transitou pelo Estreito de Ormuz, em 2025, foi com destino à Ásia. “No entanto, os impactos de uma interrupção prolongada no transporte marítimo seriam globais”, disse a agência internacional.

Petrobras pode se beneficiar

Ticiana Álvares acrescentou que a Petrobras pode se beneficiar como alternativa à queda da oferta do óleo do Oriente Médio e estima que a China pode “segurar” o não fornecimento do Irã por cerca de dois meses.

“A própria geografia do fornecimento do petróleo vai ser impactada. O Brasil pode ser uma alternativa para o fornecimento de muita gente, elevando ainda mais a produção no Brasil. Os EUA também são grandes fornecedores de petróleo, principalmente de derivados”, completou Ticiana.

Liberação dos estoques

Apesar dos riscos para o mercado global, os países do G7 decidiram não liberar, por enquanto, os estoques de emergência, o que poderia derrubar os preços.

“Ainda não chegamos lá [na liberação das reservas]. O que acordamos foi usar todas as ferramentas necessárias, se preciso for, para estabilizar o mercado, incluindo a possível liberação dos estoques necessários”, disse à Reuters o ministro da Economia francês, Rolando Lescure.

Para a especialista do Ineep, os estoques da AIE não conseguem segurar o preço por muito tempo. “A medida estudada pelo G7 teria eficácia pequena porque isso sustenta por um tempo muito pequeno uma maior oferta de petróleo”, disse Ticiana.

 

Smoke rises following an explosion, after Israel and the U.S. launched strikes on Iran, amid the U.S.-Israel conflict with Iran, in Tehran, Iran, March 2, 2026. Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS ATTENTION EDITORS - THIS PICTURE WAS PROVIDED BY A THIRD PARTY
Fumaça sobe após explosão depois que EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã em 2 de março de 2026 - Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via Reuters - Proibido reprodução

Irã responsabiliza EUA e Israel

Autoridades iranianas destacam que a alta dos preços é responsabilidade dos EUA e de Israel, que iniciaram a agressão contra Teerã, conforme afirmou o presidente do Legislativo, Mohammad Bagher (MB) Ghalibaf.

“O impacto econômico dessa guerra, que se alastra para a infraestrutura em toda a região e no mundo, será vasto e duradouro. O preço do petróleo pode permanecer acima de US$ 100 por algum tempo. A política de Donald Trump pode levar à ruína não só a América, mas o mundo inteiro”, comentou MB em uma rede social.

Por sua vez, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a subida do valor do barril de petróleo é um preço “muito pequeno” a se pagar “pela segurança e paz dos EUA e do mundo". "Só os tolos pensariam diferente”, afirmou. Para Trump, os preços cairão assim que a “ameaça” do Irã for eliminada.

 

10/01/2026 - Trump diz que Estados Unidos “estão prontos para ajudar o Irã. Foto: REUTERS/Jonathan Ernst
Para Trump, preços do petróleo cairão quando “ameaça” do Irã for eliminada - Foto: Arquivo/Reuters/Jonathan Ernst/Proibida reprodução

França vai ao Mar Vermelho

O presidente da França, Emmanuel Macron, informou que o país enviará uma dúzia de navios de guerra e um porta-aviões para o Mar Vermelho na tentativa de possibilitar “a livre navegação e segurança marítima” perto do Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã, em uma operação “puramente defensiva”.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, também manifestou preocupação com o aumento do preço da energia, com o governo de Berlim estudando a regulação mais rigorosa para empresas petrolíferas por meio de limites ao reajuste de preços, segundo informa a mídia alemã Deutschlandfunk.

Brasil e a inflação

Apesar de a Petrobras poder se beneficiar da queda na oferta de petróleo do Oriente Médio, o Brasil pode sofrer com uma inflação global ou com uma recessão mundial, caso a guerra se prolongue por muito tempo.

Especialista do Ineep, Ticiana Álvares pondera, por outro lado, que a Petrobras teria condições de amortecer o impacto do aumento dos preços dos combustíveis.

“A Petrobras tem condições de segurar a variação do preço de importação de derivados. É possível amortecer os efeitos dessa alta nas bombas de gasolina, pelo menos por um tempo, aqui internamente no Brasil”, disse.

Porém, a especialista lembra que o amortecimento dos preços é limitado uma vez que o Brasil é importador de produtos derivados do petróleo, como gasolina e diesel, e hoje tem várias refinarias privadas.

“A refinaria da Bahia, a Rlam, foi privatizada. Logo, você tem menos mecanismos de segurar o preço dessas refinarias que foram privatizadas do que, por exemplo, a Petrobras tem”, finalizou.

Resumo da Notícia

O recente aumento no preço do barril de petróleo, impulsionado pela guerra no Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, tem preocupado as principais nações industrializadas do G7. Apesar da pressão, os países decidiram, por enquanto, não liberar suas reservas estratégicas, que poderiam ajudar a reduzir os valores no mercado global. O impacto dessa crise afeta especialmente a Ásia e a Europa, já que grande parte do petróleo passa pelo Estreito. Enquanto isso, a Petrobras surge como possível alternativa para suprir a demanda mundial, embora o Brasil possa enfrentar desafios inflacionários decorrentes da instabilidade internacional. A França está reforçando sua presença naval na região para garantir a segurança marítima, e Alemanha avalia medidas para controlar os preços internos. A tensão geopolítica entre Irã, EUA e aliados segue sendo um fator decisivo para a volatilidade do mercado energético mundial.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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