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AIE libera reservas de petróleo para conter alta causada pela guerra no Irã

Coalizão internacional libera 400 milhões de barris para tentar estabilizar preços após conflito no Estreito de Ormuz

Impacto global da crise energética

A liberação emergencial de petróleo busca conter a alta nos preços e garantir abastecimento diante da instabilidade no Estreito de Ormuz, rota crucial para o comércio mundial. Essa ação temporária destaca a vulnerabilidade dos mercados energéticos a conflitos geopolíticos, afetando custos para consumidores, setores produtivos e a economia global, especialmente em países dependentes das importações de petróleo e gás.
FILE PHOTO: Petróleo A pump jack operates near a crude oil reserve in the Permian Basin oil field near Midland, Texas, U.S. February 18, 2025.  REUTERS/Eli Hartman/File Photo
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A coalizão de 32 países que forma a Agência Internacional de Energia (AIE) decidiu, por unanimidade, liberar 400 milhões de barris das reservas de emergência de petróleo para tentar estabilizar o preço dos combustíveis.

O diretor executivo da AIE, Fatih Birol, informou que a ação visa mitigar os impactos imediatos da interrupção nos mercados causados pela guerra no Irã.

“[É] o maior volume de reservas emergenciais de petróleo da história da nossa agência. Os 400 milhões de barris de petróleo estão disponíveis no mercado para compensar a perda de oferta decorrente do fechamento efetivo do Estreito [de Ormuz]”, afirmou Birol.

Apesar do anúncio, o valor do barril de petróleo Brent operava em alta de 4% nesta quarta-feira (11), cerca de 30% acima do preço antes da guerra. Os valores do barril vêm disparando por causa do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, que foi uma retaliação às agressões dos Estados Unidos (EUA) e de Israel contra Teerã.

Estima-se que cerca de 20 milhões de barris de petróleo ou derivados trafeguem pelo Estreito de Ormuz todo os dias, o que representa 25% de todo o comércio global de hidrocarbonetos.

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International Energy Agency Executive Director Dr Fatih Birol speaks during a press conference on developments in global energy markets, in Brussels, Belgium March 6, 2026. REUTERS/Yves Herman
Fatih Birol, diretor executivo da AIE, diz que liberação de reservas visa diminuir impactos nos mercados causados pela guerra no Irã - Foto: Reuters/Yves Herman/Arquivo/Proibida reprodução

 

Impacto limitado no tempo

Para a diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), Ticiana Álvares, o total liberado tem efeito limitado no tempo.

“Trata-se de uma medida que pode contribuir para amortecer, no curto prazo, os impactos do conflito. No entanto, caso haja um prolongamento das tensões, os efeitos sobre o mercado de petróleo e gás global tendem a se aprofundar, podendo resultar em um quadro mais complexo no longo prazo”, afirmou a especialista em entrevista à Agência Brasil.

Sem prazo para liberação do petróleo

A liberação das reservas da AIE seria suficiente para substituir 20 dias do fluxo do Estreito de Ormuz. O montante representa um terço dos cerca de 1,2 bilhão de barris de reservas mantidos pelos países vinculados à agência. Outros 600 milhões de barris são os estoques da indústria mantidos por obrigação governamental.

Por outro lado, não foi estabelecido um prazo para liberação desse estoque. “As reservas de emergência serão disponibilizadas ao mercado num prazo adequado às circunstâncias nacionais de cada país-membro e serão complementadas por medidas de emergência adicionais adotadas por alguns países”, informou a AIE.

A Agência Internacional de Energia é formada, majoritariamente, por países europeus. Nas Américas, compõem a agência o Canadá, México, Chile e os EUA.

Gás Natural

Além do petróleo, o fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) também preocupa a AIE. A agência destaca que há poucas opções para substituir o GNL que parou de chegar do Catar e dos Emirados Árabes Unidos.

“O fornecimento global de energia foi reduzido em cerca de 20%, e os equilíbrios de mercado subjacentes antes deste conflito eram ainda mais apertados do que no caso do petróleo. A Ásia é a região mais afetada no setor de gás. Os países de alta renda na Ásia estão competindo acirradamente com a Europa e outros importadores por cargas de GNL disponíveis”, afirmou o chefe da AIE, Fatih Birol.

 

Mapa Estreito de Ormuz
Mapa Estreito de Ormuz - Arte/EBC

Irã

O Irã voltou a ameaçar navios que trafegarem no Estreito de Ormuz e que possam beneficiar os EUA, Israel ou seus aliados.

Em comunicado, a Guarda Revolucionária Islâmica promete que “nem um único litro de petróleo passará pelo Estreito de Ormuz em benefício dos EUA e seus aliados”.

As autoridades iranianas alegaram que atingiram dois navios, um de propriedade israelense e outro de bandeira da Libéria, que teriam tentado travessar o Estreito nesta quarta-feira sem autorização de Teerã.

G7

O presidente da França, Emmanuel Macron, convocou uma reunião dos países do G7, grupo de países mais industrializados do mundo, para discutir, nesta quarta-feira, os desdobramentos da crise energética provocada pela guerra no Irã.

O G7 é composto pelos Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Reino Unido, Alemanha e França.

Nos Estados Unidos, houve um aumento dos preços dos combustíveis nas bombas de 60 centavos o galão, chegando a US$ 3,50, maior valor desde maio de 2024, segundo informou a Reuters.

Resumo da Notícia

Em resposta à escalada do conflito no Estreito de Ormuz, a Agência Internacional de Energia (AIE) decidiu liberar 400 milhões de barris das reservas emergenciais de petróleo. Essa medida inédita visa reduzir os impactos imediatos da guerra no Irã sobre o mercado global, onde o preço do barril Brent já subiu cerca de 30%. Apesar da liberação, o efeito deve ser temporário, pois o fornecimento diário interrompido pela região corresponde a 20 milhões de barris, quase um quarto do comércio mundial. Além do petróleo, o abastecimento de gás natural liquefeito também preocupa, especialmente na Ásia, devido à concorrência por cargas limitadas. O Irã, por sua vez, mantém ameaças a navios que passem pelo Estreito beneficiando seus adversários. Paralelamente, líderes do G7 se reuniram para tratar da crise energética causada pela instabilidade no Oriente Médio, enquanto os preços dos combustíveis nos Estados Unidos atingem níveis recordes recentes.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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