AGU intensifica cobrança de ressarcimento por pensões em casos de feminicídio

Ações regressivas visam responsabilizar financeiramente autores de feminicídio pelo pagamento de pensões pelo INSS.

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AGU intensifica cobrança de ressarcimento por pensões em casos de feminicídio
Crédito da imagem: © José Cruz/Agência Brasil

Ressarcimento em casos de feminicídio

A cobrança judicial dos autores de feminicídio para restituir pensões pagas pelo INSS representa uma medida importante para garantir que recursos públicos sejam protegidos e que os responsáveis pela violência de gênero assumam as consequências financeiras de seus atos. Essa iniciativa contribui para a responsabilização integral dos agressores, reforçando mecanismos de prevenção e apoio às vítimas e seus dependentes, além de auxiliar na recuperação de valores significativos para o sistema previdenciário.
Brasília (DF), 17/07/2024 - Edifício sede da Previdência Social. Foto: José Cruz/Agência Brasil
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Ações para responsabilizar financeiramente condenados por feminicídio por despesas com pensões por morte concedidas pelo INSS estão na mira da Advocacia-Geral da União (AGU).

Os processos com essa finalidade ajuizados pelo órgão federal cresceram oito vezes nos últimos três anos: passaram de 12, em 2023, para 54 em 2024 e, no ano passado, chegaram a 100. São as chamadas ações regressivas por feminicídio.

Caso de Marília

No início deste mês, por exemplo, a 2ª Vara Federal de Marília, em São Paulo, condenou um homem a ressarcir o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pelos valores pagos com a pensão por morte em favor da dependente da ex-companheira, falecida em decorrência de crime qualificado como feminicídio praticado por ele.

A filha do casal tinha apenas dois anos de idade na época. O homem foi condenado pelo Tribunal do Júri à pena de 26 anos de reclusão.

Em razão do óbito, o INSS concedeu pensão à criança a partir de setembro de 2021, no valor mensal de R$ 1.518, com estimativa de manutenção até março de 2040. Com a ação regressiva, o homem terá de ressarcir a União pelos valores pagos e os futuros, assumindo o ônus financeiro da concessão do benefício, por ter sido o causador real do dano.

Desenvolvida pela AGU, a tese quer alcançar todos os benefícios previdenciários que forem pagos em decorrência de um feminicídio.

Em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o objetivo é cruzar dados nacionais de condenações com as informações do INSS, como explica Adriana Venturini, procuradora-geral Federal da AGU.

"A ideia é que agora a gente consiga fazer parcerias com todas as 27 unidades da federação através do CNJ. E, com o cruzamento dos dados, a gente possibilite que nenhum pagamento previdenciário decorrente de violência doméstica fique sem uma resposta da AGU no sentido de cobrar do agressor o ressarcimento. Porque não deve ficar a responsabilidade para a sociedade".

A iniciativa busca ainda evitar que o próprio réu figure como beneficiário da pensão por morte, ressalta a representante da AGU.

"Assim que há condenação por feminicídio, o INSS é comunicado e ele evita que o pagamento seja feito se for em benefício do próprio réu. Se for em benefício do filho menor, o pagamento da pensão acontece automaticamente, porque ele não pode ser revitimizado, mas a gente cobra do causador da morte".

Atualmente, a experiência está presente em 13 unidades da federação. Somente no ano passado, os processos cobraram 113 pensões por morte, com expectativa de recuperação de R$ 25 milhões aos cofres públicos.

Para Adriana Venturini, essa política não se restringe ao ressarcimento financeiro aos cofres públicos, mas dialoga com iniciativas consolidadas de combate à violência de gênero.

"A ideia é que tenha um impacto preventivo e pedagógico, pensando na perspectiva da cultura de responsabilização integral".

A AGU prepara o ajuizamento de dezenas de novas ações regressivas por feminicídio para o próximo mês, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher.

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Resumo da notícia
A Advocacia-Geral da União (AGU) tem ampliado ações judiciais para exigir que autores de feminicídio ressarçam o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pelos valores pagos em pensões por morte. O número desses processos cresceu significativamente, passando de 12 em 2022 para 100 em 2023 e 54 em 2024 até o momento. Um caso emblemático em Marília, São Paulo, resultou na condenação de um homem a ressarcir pensão concedida à filha da vítima. A iniciativa da AGU, em parceria com o Conselho Nacional de Justiça, utiliza o cruzamento de dados para garantir que o agressor arque com os custos financeiros e que nenhum benefício seja destinado a ele. Atualmente, 13 estados adotam essa prática, que já recuperou cerca de R$ 25 milhões para os cofres públicos em 2023. A medida busca além do ressarcimento, promover prevenção e responsabilização integral contra a violência de gênero.
Resumo editorial produzido com apoio de inteligência artificial.